PJ News Jornal da Pastoral da Juventude
Por: Thaís Fernandes
"Belo é o amor humano que quer viver até o fim, mas belo porém é o amor humano que se submete a vontade do Único amor"...Gostaria de começar essa homenagem com essa frase do Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Católica Shalom, que traduz tudo isso que hoje, vivemos. Hoje, por mais difícil que nos pareça ser, submeter-se a vontade de Deus é a maior prova de amor aqui na terra, mesmo que gere dor e saudade. Por mais que não saibamos se tudo isso é, de fato, vontade do Pai ou apenas humana, seu exemplo agora, de obediência e entrega faz-nos perceber quem tu és, até no último momento.
Há quase três anos, a Paróquia de São Pedro não sabia o que Cristo preparava para a mesma. Até que o senhor chegou e muita coisa, ou tudo, mudou. Dias antes, fazíamos diversas especulações, mas sabíamos que Ele não ia nos desamparar... E quem chegou? O Pe. Cadu, com um coração jovem, de 29 anos, pouco cabelo e muita barriguinha, que por sinal ele ainda está lutando para perder, risonho, com um olhar cheio de esperança, logo, enchemo-nos também. Não foi difícil tornar-se amado por nós. Seu carisma, sua alegria fazia-nos, cada vez mais, sentir a mudança em nossas vidas...e que mudança. Ganhamos logo de início uma Semana Santa, onde depois de muito tempo, conseguimos viver a dor da Paixão de Cristo, e na Páscoa, a paz do Ressuscitado que passou pela Cruz, passando por cada esquina desse quarteirão anunciando e cantando a Boa Nova. Quanta mudança, quantos corações transformados, quanta espiritualidade. A Paróquia, com toda a sinceridade que nos cabe, tornou-se ativa, bonita e sorridente. Redescobrimos o amor pela Eucaristia, e nos transformamos em filhos adoradores. Aprendemos teologia, estudamos um pouco mais a Bíblia, vivemos experiências profundas e incomparáveis com o Espírito Santo, permitindo que o Céu se abrisse nessa Igreja e derramasse todos os dons. Tornamo-nos mais carismáticos e assim, nos apaixonamos por esse mesmo Espírito que soprava um vento impetuoso. Como dizíamos, era um Novo Tempo para nós.
Nascemos e crescemos contigo. Nos movimentamos para os luais com Cristo, aprendemos a ter responsabilidade diante dos nossos compromissos pastorais, ou pelo menos tentamos, rimos de suas piadas, de seus contos, das suas gargalhadas exageradas, dos seus desesperos, de não conseguir ficar quieto, do “Deus seja louvado e o diabo derrotado”, “Sá Menina”, das suas palmas de foca, do seu pé que fica quase na ponta quando está pregando, colocamos a nossa mão no coração e repetimos “Senhor, Jesus” diversas vezes. Nos fez chorar muito, como agora, porém, muito mais sorrir. Fez questão de abraçar nossas lutas e sonhos. Muito mais do que isso, o senhor nos fez enxergar além dos nossos medos, não pararmos nas nossas limitações e fraquezas, e como pecadores arrependidos, voltarmos ao colo Misericordioso de Deus.
Comemos muitos pastéis, pizzas, mesmo sempre em regime...fizemos muitas festas de aniversário, homenagem, e com sinceridade, não esperava que essa seria a última. Fez-nos ganhar novos e eternos amigos. Encheu essa Igreja. Ficava horas a fio na porta da Igreja conversando, atendendo, e rindo, sempre. Fizemos tantas coisas que hoje já nos fogem da memória. Excursões, louvores, adorações de madrugada, Missas que varavam á noite, quadrilhas, show inesquecíveis. O senhor foi responsável por um dos maiores feitos dessa cidade, que foi fazer da festa de São Pedro, uma festa inteiramente católica. E que falassem o mundo, ou as suas próprias ovelhas, Deus te guiava e apoiava a isso, e nós precisávamos dessa radicalidade, pois como diz em Apocalpse, o morno é sempre vomitado. Gritou para todos os cantos aldeenses a verdade. Foi, como todo servo de Deus, perseguido até o fim, vítima, mas ainda com a alma machucada, continuou firme. Suas Missas se tornaram inesquecíveis, e não importa se duravam horas, pois se agüentamos de pé tantos show e festas, como não poderíamos ficar na presença de Deus, testemunhando o maior Sacrifício?
Essa juventude aqui na frente, merecidamente, é muito suspeita para falar de ti. Seu sim nos inclinou a adorar, nos deu vida, transformou corações depressivos e sem luz, tirou jovens do fundo do poço, do comodismo, das ciladas do mundo. Seus abraços fortes e sinceros nos reavivavam, sua amizade e paternidade inigualáveis nos fizeram jovens corajosos, cheios do Espírito Santo, despojados, nos impulsionou a seguir o chamado, a amar nossa vocação. Mostrou-nos que somos não só o futuro, mas o próprio presente da Igreja. Um pai ciumento, cuidadoso, dramático, um paizão. E até hoje, quando é o seu coração que também está ferido, vem nos confortar nos momentos de dor, onde nos sentimos também vítimas, porém, amados por ti. O senhor é a parte mais forte da nossa canção, um tesouro que encontramos e sempre guardaremos, um refúgio ungido, com voz de profeta e coração de menino. Não há tempo, não há lugar, não há nada que possa vir a nos separar, pois estamos unidos, aqui, em SG, Mato Grosso ou até na África, pelo Altar, pela Comunhão.
Obrigada por não nos poupar Jesus, pelos perdões, pelo amar e acreditar na nossa juventude, pelos puxões de orelha, por não haver mágoas, pelo seu sacerdócio, pela vida nova dava a esse lugar. Obrigada por ser luz, por ser presença, por incomodar o ímpio, os pagãos, os incrédulos. Desculpamo-nos por não ter sido os melhores paroquianos, por não ter lutado suas lutas ou sonhado os seus sonhos, por nossas rebeldias, nossos comodismos, contra-testemunho, pelas maledicências, intrigas, omissões. Desculpas por deixá-lo ir assim, tão de repente, contra tantas vontades.
Foto: facebook Pe. Cadú
Enfim, é necessário pedir desculpas por tanta coisa, não é mesmo? Mas sabemos que o seu sacerdócio já perdoou tudo e olha com o olhar misericordioso de Deus. Hoje a Paróquia deixa ir um tesouro. Um dia o pararam e disseram que o senhor foi o pior padre dessa cidade. Pobre alma, pois na verdade, o que fizeste por nós faz com que possa sair daqui com a alma lavada e a missão cumprida...se não o melhor padre, mas o inesquecível. O coração sincero desta Matriz lhe pede que reze por nós, comungue e jejue se for possível, pois faz-se extremamente necessário e sabemos disso. Não só você precisa que Jeová o converta, mas principalmente nós, corpo da Igreja. Que saibamos o sentido da União, da misericórdia, que precisamos ser ovelhas, e não lobos e buscar a radicalidade. Estaremos rezando também também pelo seu sacerdócio, pelo seu sim, pelo novo que Deus lhe apresenta, pela sua missão.
Leve da sua primeira Paróquia, os pedacinhos dos nossos corações, leve-nos em suas orações. Leve nossos melhores sorrisos, lutas, forças e principalmente, o nosso amor e gratidão. E nos seus momentos de dor e solidão, lembre-se do quão és precioso para Deus e para nós. E não esqueça de duas coisas: “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão e principalmente: Sair não é deixar...perto está, se dentro está.
O coração dessa paróquia te ama profundamente, padre Carlos Eduardo da Silva Elias.
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